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10 dicas para uma negociação salarial de sucesso

Quarta-feira, Agosto 4th, 2010

Negociação é um tema apaixonante, pois trata da arte de persuadir. Infelizmente não é uma matéria da grade escolar, mas em minha opinião deveria estar no currículo desde o ensino médio.

Quando a questão é salário, então, as dúvidas se agigantam e sem o devido preparo a situação pode ficar embaçada. Assim essa matéria é bem oportuna quando se trata de Gerenciamento de Carreira.

As dicas são bem oportunas.

Um abraço, boa leitura.

Adriana

 

87154Normalmente, a discussão sobre salário começa bem antes de você ser chamado para a vaga. Tudo começa na primeira conversa que você tem com o selecionador, que na maior parte dos casos é feita por telefone. É nesta “pré-entrevista” que o profissional de RH vai querer saber, entre outras coisas, quanto você quer ganhar e quanto ganhou – ou está ganhando – no último ou atual emprego. Se o seu perfil e sua pretensão salarial estiverem de acordo com a vaga pretendida, o selecionador vai marcar a primeira entrevista pessoal com você – onde a questão salarial será tratada novamente.

Para o diretor de RH da Microsiga, Flávio Balestrin, muitos candidatos ainda enfrentam relutância em falar da importância que o salário tem nas suas vidas. “Se eu faço a seguinte pergunta – Qual é a importância do dinheiro na sua vida? – muitas pessoas tremem de medo e não sabem o que dizer. É preciso ser sincero e não ter vergonha de dizer o quanto a questão salarial é importante, mas salientar também outras coisas, como a oportunidade de estar trabalhando naquela empresa, a ascensão profissional que terá nesta nova posição, entre outros aspectos”. Da mesma forma, quando o selecionador perguntar sobre o seu último ou atual salário e quanto pretende ganhar, a dica de Flávio é: não minta. “O bom entrevistador consegue identificar qual a sua remuneração real, seja pelo perfil da vaga ou pela desenvoltura com que o candidato coloca as informações”.

Na entrevista de emprego, discutir sobre o salário costuma ser o momento mais desconfortável. Antes de argumentar, é preciso lembrar que ambos os lados estão cumprindo seus papéis, então não encare este processo como uma luta entre antagonistas. Aliás, seu objetivo é mudar de lado na mesa, quebrando as barreiras e trabalhando em equipe. Assim, o processo de comunicação se abre.

Para isso, mostre o quanto você está feliz com a oportunidade e questione sobre todas as ramificações da oferta. Além de desarmar o nervosismo, suas perguntas podem ser valorizadas. Lembre-se que a negociação de salário tem uma posição importante no desenvolvimento das relações com o novo emprego. Afinal, este pode ser seu último teste. Confira 10 dicas de como tratar o tema e conseguir o que você quer:

1. Esteja preparado
Faça uma pesquisa de mercado e, levando em conta suas necessidades, estabeleça um nível razoável para salário e benefícios adicionais – como bônus, ações e férias. Certifique-se que este “pacote” atende às suas expectativas, para não ter problemas futuros. Tenha justificativas na ponta da língua para defender sua proposta, como experiência e competência.

2. Seja firme
A maioria dos negociadores procura escapar com reações hostis. Evite esta cilada fazendo uma oferta razoável e apropriada e permaneça nesta posição até a outra parte oferecer uma boa razão para você mudar.

3. Seja prudente
Mantenha sua proposta em mente. O objetivo é atingir um acordo que satisfaça a ambas as partes. Se a discussão está longe de um acordo, pense em outra proposta. Use sua energia para criar soluções, não para armar uma batalha.

4. Controle a ansiedade
Deixe a negociação para o fim da entrevista. Deixe a conversa rolar, conquiste o empregador e então fale sobre valores.

5. Primeiro, a empresa
Quando o empregador faz a proposta antes, você tem a oportunidade de revisar sua própria proposta. Compare o valor posto na mesa com a faixa salarial do mercado para chegar a uma conclusão satisfatória.

6. “Quanto você tem em mente?”
Para responder a pergunta, dê uma resposta mais ampla, sem citar valores específicos. Você pode dizer “Em procuro algo em torno de X reais”. Deixe claro que você está familiarizado com a média do mercado.

7. Comece com o tom certo
Deixe a pessoa saber que você vai ouvir e procurar entender o ponto de vista da empresa. Ao mesmo tempo, mostre que você espera o mesmo. Assim, vocês trabalham em conjunto para chegar a um consenso. Evite ultimatos, ameaças e outros comportamentos rígidos.

8. Tenha uma carta na manga
Crie possíveis soluções para um impasse e coloque-as na mesa. Juntos, sem compromisso formal, empresa e candidato podem decidir qual é a mais vantajosa para ambos.

9. Deixe claro seus interesses
A negociação deve satisfazer uma lista de necessidades, não apenas a salarial. Outros tipos de compensação podem ser válidos – como divisão de lucros, ações, bônus, mais responsabilidade, uma agenda de promoções, férias maiores ou horários flexíveis.

10. Foque em um critério
É muito mais fácil persuadir alguém quando a proposta é fundamentada em um critério objetivo, como pagamento por experiência, competência ou tempo de casa. Procure saber em qual linha você se encaixa na empresa.

Após a negociação, reflita sobre os pontos que você acertou e os que errou. Com esta auto-análise, o processo será mais tranqüilo da próxima vez.

http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/ge/entrevista/pratica/141003-negociacao_salario.shtm

Tempo de Escolher

Quinta-feira, Julho 1st, 2010

 

Ne87126ste artigo, Tom Coelho trata a questão das escolhas sob uma perspectiva bem interessante. Todos nós fazemos escolhas diáriamente, algumas com maior impacto em nossas vidas outras triviais. O que escolher e como fazemos nossas escolhas? Quais os critérios, crenças e valores por trás daquilo que efetivamente fazemos. Eis a questão

* por Tom Coelho

Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a harmonia conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas atividades. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.

 Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o sim e o não, só existe um caminho: escolher”.

 Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão específica e irrevogável tem que ser tomada apenas porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

 Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a uma dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

Prazer e Vocação

 Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, sempre estaremos numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

 Todavia, é indiscutível a importância de alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação. Oriunda do latim vocatione, e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa latente, capaz de converter advogados em músicos, fazer engenheiros virarem suco. É um lugar no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.

 Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí torno a recorrer à etimologia para descobrir que o verbo “preferir” vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.

 O mundo corporativo nos reserva muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando: “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício da dúvida. Por isso, opto por assumir riscos calculados e seguir adiante. Somos livres para escolher, porém prisioneiros das consequências.

 Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

 Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”. Meias-palavras, meias-verdades, mentiras inteiras, meio caminho para o fim.

 Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com paixão?”.

 Qual seria a resposta para você?

 * Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.